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Corpo da nadadora Dailza Damas é cremado em Curitiba
Em 1992, atleta ficou conhecida por atravessar o Canal da Mancha a nado
Publicado em: 08/11/2008 13:00 Maurício Borges - da Tribuna do Norte
Foto:  Valterci Santos / Gazeta do Povo 
Corpo da nadadora Dailza Damas é cremado em Curitiba
A nadadora paranaense Dailza Damas, de 50 anos, morreu na noite desta quinta-feira, no Balneário de Bombinhas, em Santa Catarina. Ela foi hospitalizada por volta das 21h, após reclamar de dores de cabeça, sofrer dois desmaios e três paradas cardíacas consecutivas. Os médicos do pronto-atendimento do Hospital da cidade ainda tentaram reanimá-la por 40 minutos, mas não tiveram êxito. O corpo foi velado na sexta-feira (7) em Apucarana, cidade natal da nadadora, no Norte do Paraná, e depois cremado neste sábado (8) em Curitiba.

Dailza Damas morava havia cinco anos em Bombinhas, e lá se recuperava de uma cirurgia no cérebro, realizada no Instituto Neurológico de Curitiba (INC) pelo médico Ricardo Ramina, no último dia 10 de outubro. No procedimento, foi retirado um tumor benigno da hipófise. Contudo, após 15 dias da cirurgia, a nadadora voltou a sentir-se mal e foi novamente operada, sendo liberada alguns dias depois.

Dailza foi a primeira brasileira a atravessar o Canal da Mancha, em 1992

Currículo de travessias de Dailza Damas
Canal da Mancha (1992) - travessia de 59 km, em 19h16, entre Inglaterra e França

Estreito de Gibraltar (1995) - travessia de 25 km, em 7h e 35, entre Espanha e Marrocos

Canal da Catalina (1993) - travessia da ilha da Catalina de 37 km, em 14h, na Califórnia, nos Estados Unidos

Contorno da Ilha de Manhattan (1995) - 48 km, em 8h30, em Nova York (EUA)

Canal da Mancha (1995) - 2ª travessia de 42 km, em 10h48, entre Inglaterra e França

Mar da Galiléia (1996) - travessia de 25 km, em 8h24, em Israel. Tornou-se primeira pessoa a cumprir a prova

Rio Iguaçu (1998) - nadou 38 km (10 dos quais acima das cataratas), em 7h30

Lago de Titicaca (2001) - travessia de 25 km, em 8h36, na Bolívia. Primeira pessoa a concluir a prova no lago gelado

Mar Báltico (2002) - travessia de 25 km, em 7h15, entre a Dinamarca e Suécia. Foi a primeira mulher a concluir a prova

No Brasil contornou as ilhas de Fernando de Noronha (Pernambuco), do Mel (Paraná), Atol das Rocas (Pernambuco), de Abrolhios (Bahia), Trindade (Pernambuco), e Florianópolis (Santa Catarina)

"Ela estava na casa da nossa irmã em Curitiba após ter recebido alta, e voltou dirigindo para Bombinhas. Ela se recuperava bem, mas ai veio o primeiro desmaio, na quinta-feira à tarde. Ela foi ao médico, foi liberada, mas então teve outro desmaio e as paradas cardíacas vieram depois", contou o irmão da nadadora, Antônio Damas.

Quem socorreu Daílza Damas, momentos antes dela morrer, foi o amigo e empresário Thiago Sanchez Yamafuko. "À noite, recebi o telefonema dela me pedindo para levá-la ao hospital em Curitiba. Não deu tempo, logo no início da viagem de Bombinhas para Curitiba, a pressão dela despencou, chamamos a UTI e a caminho do hospital, aqui em Bombinhas, ela sofreu uma parada cardíaca", lamentou.

Em virtude da morte de Dailza Damas, o prefeito de Apucarana, Valter Pegorer, decretou luto oficial de dois dias. O corpo segue sendo velado no Plenário da Câmara Municipal da cidade, de onde sairá às 2h30 deste sábado. O translado até Curitiba deve durar seis horas, e a cremação (um pedido feito pela nadadora ainda em vida) está previamente marcada para as 9h. As cinzas deverão ser atiradas ao mar, no Litoral do estado, em local e horário a serem definidos.

Exemplo de vida e determinação
Dailza Damas deixou um filho, Marlo Damas Antônio, de 31 anos, o primeiro a fazê-la descobrir o prazer de nadar. Ela deu as primeiras braçadas aos 28 anos, como forma de ajudar e incentivar o filho a praticar o esporte e superar a bronquite. Mas o nome de Dailza ficaria marcado na história da natação brasileira em 1992, quando a atleta atravessou os 59 quilômetros do Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 19 horas, tornando-se a primeira brasileira a conseguir tal feito. Ela viria a repetir a dose três anos mais tarde.

Proibida de nadar por seis meses depois de ser operada, Daílza planejava encarar um novo desafio em 2009, em comemoração aos seus 51 anos, que seriam completados no dia 6 de dezembro. "Ela estava à procura de patrocínios, mas estava difícil de conseguir. Mesmo assim, a Dailza não desanimava", disse o amigo Thiago Yamafuko.

Para os que conviveram com Dailza Damas, ela deixa a marca de ter sido uma desafiadora incondicional. "Ela tinha uma energia enorme, às vezes não sabíamos de onde ela tirava tanta determinação", comentou o professor Célio Amaral, proprietário da Academia Amaral, onde a nadadora treinou em boa parte da carreira.

 

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