Na minha empresa, 100% dos funcionários estão acima da média”, disse uma empresária. A frase parece elogio, mas há um problema: se ela fala da média do próprio grupo, todos não podem estar acima dela. E, quando “excelente” serve para todos, deixa de dizer quem fez um trabalho realmente excelente.
É como imprimir dinheiro sem medida: quanto mais notas circulam, menor pode ficar o valor de cada uma. Se o chefe chama todo trabalho de excelente, a palavra perde força. O funcionário não sabe quando superou uma expectativa nem o que precisa melhorar.
Avaliar não é distribuir notas altas para evitar conversas difíceis. É explicar, com respeito, o que a pessoa faz bem e o que pode fazer melhor. Dizer “você errou” não precisa ser um ataque. Pode ser o começo de uma conversa sobre como entregar um bom trabalho.
Mas “você precisa melhorar” não ajuda muito. Melhorar em quê? Uma orientação útil aponta uma ação e, quando possível, um exemplo: “Confira os pedidos antes de enviá-los. Na semana passada, três saíram com erros.” Agora a pessoa sabe onde começar.
O feedback também precisa ser justo. Uma falha não resume a competência de alguém, assim como um bom resultado isolado não prova excelência em tudo. O gestor deve observar o trabalho, explicar o impacto do erro e combinar o próximo passo. Quem recebe a orientação precisa escutar e perguntar, sem transformar toda correção em ofensa pessoal.
Elogiar é importante. Corrigir também. O que não funciona é trocar avaliação por frases agradáveis que não orientam ação nenhuma. Na sua empresa, todos estão mesmo acima da média? Ótimo. Mas confira a régua. Se ela estiver no chão, até um tropeço parece salto.