Todos os anos, diferentes instituições apresentam estudos sobre os caminhos da tecnologia. Esses levantamentos ajudam empresas, governos e profissionais a compreender o que está sendo desenvolvido e quais mudanças merecem atenção nos próximos anos. Recentemente, o Gartner, empresa internacional de pesquisa e consultoria reconhecida por seus estudos sobre tecnologia e gestão, apresentou dez tendências estratégicas para 2027. O levantamento reúne tecnologias em diferentes estágios de desenvolvimento e oferece pistas sobre como poderão ser utilizadas pelas organizações.
Uma das tendências envolve os modelos quantitativos de inteligência artificial, desenvolvidos para analisar números, realizar cálculos complexos e elaborar previsões. Na prática, poderão ajudar empresas a planejar estoques, avaliar riscos financeiros e antecipar problemas na produção. Outra novidade são os modelos de raciocínio por voz, capazes de compreender não apenas as palavras, mas também o contexto, as interrupções e a entonação de uma conversa. Essa capacidade poderá tornar os serviços de atendimento mais eficientes e personalizados.
Também aparecem os chamados modelos de mundo, tecnologias que simulam situações reais para avaliar possíveis consequências antes de uma decisão. Uma indústria, por exemplo, poderá estudar os efeitos de uma interrupção no transporte sobre seus fornecedores e prazos de entrega. O estudo dedica atenção especial aos agentes de inteligência artificial, sistemas que conseguem executar determinadas tarefas com autonomia. Para isso, surgem plataformas que organizam informações e regras das empresas, mecanismos que supervisionam a criação automática de programas e soluções que definem quais dados cada agente poderá acessar.
A segurança digital acompanha esse movimento, com tecnologias capazes de identificar, priorizar e corrigir vulnerabilidades automaticamente. Afinal, quanto maior a autonomia dos sistemas, maior a necessidade de estabelecer responsabilidades e controles. Outra tendência importante é a soberania tecnológica. O conceito envolve reduzir dependências excessivas de fornecedores e preservar a capacidade de manter serviços e informações sob controle. Para empresas e governos, isso significa pensar também em alternativas caso uma tecnologia deixe de estar disponível. O Gartner destaca ainda as aplicações descartáveis, programas criados para resolver necessidades específicas e desativados quando deixam de ser úteis. Na fronteira mais experimental aparece a computação biológica, que investiga o uso de materiais vivos para processar informações.
Nem todas essas tecnologias estarão prontas para uso em 2027. Algumas ainda precisarão de anos de pesquisa e desenvolvimento. Por isso, conhecer tendências não significa necessariamente adotá-las. Para nossas empresas e instituições, o exercício mais importante é compreender quais dessas possibilidades fazem sentido diante de seus desafios, recursos e capacidades. Conhecer as tendências permite antecipar oportunidades, avaliar riscos e planejar investimentos com mais segurança. Olhando para 2027, fica evidente que acompanhar a evolução tecnológica exige mais do que conhecer novas ferramentas. Exige compreender suas aplicações, reconhecer suas limitações e desenvolver condições para utilizá-las de maneira responsável. Afinal, o valor de uma tecnologia não está apenas no que ela é capaz de fazer, mas na contribuição que oferece para resolver problemas reais e melhorar a vida das pessoas.