Essa semana estive pensando em uma pergunta que aparece com frequência quando conversamos sobre inovação: por que algumas boas ideias avançam enquanto outras, mesmo parecendo excelentes, ficam pelo caminho? A resposta de imediato, costuma olhar para dentro da empresa. Faltou dinheiro, equipe, tecnologia, planejamento ou capacidade de execução. Tudo isso importa. Mas talvez exista outra pergunta que deveríamos fazer “quem precisava estar junto para essa ideia acontecer”?
Essa reflexão me levou a um texto publicado em 1993 por James F. Moore, na Harvard Business Review. O artigo propõe olhar para os negócios a partir de uma lógica inspirada na natureza. Em vez de enxergar empresas como organizações isoladas disputando mercado, Moore sugere pensar em ecossistemas, formados por diferentes atores que cooperam, competem e evoluem juntos. Mais de trinta anos depois, a ideia continua atual. Uma empresa pode desenvolver uma ótima tecnologia, mas depender de fornecedores, canais de venda, profissionais qualificados, infraestrutura, regras adequadas e, claro, clientes dispostos a adotá-la. Uma startup pode ter uma solução promissora, mas dificilmente crescerá sem acesso a conhecimento, capital, mercado e conexões.
Com cidades e territórios acontece algo parecido. Quando falamos em ecossistemas de inovação, não estamos falando apenas de reunir empresas, universidades, governo e sociedade em uma mesma sala. Estar próximo não significa estar conectado. Um ecossistema começa a ganhar força quando seus participantes percebem que existem desafios que dificilmente serão resolvidos de forma isolada. Moore descreve quatro momentos na evolução desses ambientes: nascimento, expansão, liderança e renovação. Talvez o mais interessante seja justamente o último. Ecossistemas que funcionaram muito bem durante determinado período também podem perder relevância quando deixam de perceber mudanças ao seu redor.
Isso vale para grandes empresas, mas também para os pequenos negócios e territórios. Às vezes ficamos tão concentrados em proteger aquilo que construímos que deixamos de observar novas tecnologias, novos comportamentos e novos atores que estão surgindo. A inovação, nesse sentido, não depende apenas de criar algo. Depende também da capacidade de construir relações e renovar as existentes. Por isso, talvez uma boa pergunta para empresários e gestores não seja apenas “como posso inovar?”, mas “com quem preciso inovar?” Mapear parceiros, aproximar competências diferentes, compartilhar problemas e construir pequenos projetos conjuntos pode produzir mais resultado do que tentar desenvolver todas as respostas dentro da própria organização.
Na natureza, nenhum organismo existe completamente sozinho. Nos negócios também não. Talvez a vantagem competitiva mais importante dos próximos anos não esteja apenas naquilo que uma organização sabe fazer, mas na qualidade das conexões que consegue construir.