Opinião

Adolescentes precisam de mais atenção governamental

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No Brasil, a cada 100 mulheres de 15 a 19 anos, seis sofrem violência sexual. A estimativa integra o relatório “Ending Violence in Childhood”, divulgado pelo Global Report no ano passado. Dados brasileiros, compilados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), plataforma de dados do Ministério da Saúde, apontam que essa faixa etária é a principal vítima de violências - domésticas e sexuais - correspondendo a 62,3% dos atendimentos femininos na rede de saúde.
Os números revelam uma triste realidade brasileira da falta de proteção à juventude. A vulnerabilidade das mulheres jovens expostas pelos números motivou uma campanha da Secretaria da Família e Desenvolvimento Social do governo do Paraná. Lançada em plataforma diferenciada, com participação de youtubers e veiculação em redes sociais, a iniciativa tenta chamar atenção para situações como envio de fotos privadas por aplicativo de mensagem, sexo forçado, gravidez e casamento precoce.
A ideia da campanha é falar diretamente com um público que, apesar de profundamente inserido em ambiente digital e tecnológico e cercado de um volume de informações que as gerações anteriores jamais imaginaram e, talvez até por isso, é profundamente vulnerável.
O jogo virtual da Baleia Azul, que tirou o sono de pais e colocou o setor de segurança em alerta no ano passado e a polêmica levantada pela abordagem do bullying e do suicídio adolescente na série norte-americana 13 Reasons Why, são uma mostra do impacto das tecnologias na vida dos jovens e da amplitude que redes sociais têm para potencializar a violência, a agressão e os riscos a que os jovens, as meninas em sua maioria, são expostos diariamente.
Bem por isso, a escolha de uma campanha diferenciada para falar com esse público dentro de uma plataforma que os jovens dominam e entendem é um grande acerto de abordagem. 
Contudo, apenas levantar a lebre não resolve o problema. Incentivar as denúncias e fornecer à adolescente  informações sobre seus direitos é o primeiro passo de um grande caminho a ser percorrido. 
O atendimento à adolescentes padece do mesmo problema crônico que o reservado à mulheres que é a falta de um atendimento especializado e multidisciplinar que pode ser mensurado, por exemplo, na defasagem do número de Delegacias da Mulher e mesmo nas falhas da legislação em relação ao combate à violência, fatores que, felizmente, vêm avançando nos últimos anos. No Paraná, a delegacia especializada nos crimes contra o adolescente, Nucria, está presente em cinco cidades.
Na área de saúde também há uma série de desafios a serem enfrentados, a começar pela gravidez na adolescência - um tema que há décadas não é tratado com a devida importância em âmbito nacional -, e a sexualidade do jovem, que tem virado um tema tabu na sociedade. Isso ajuda a explicar o fato da taxa de gravidez na adolescência, em 2015, ser mais que o dobro do índice de países europeus.