Opinião

Atenção primária na saúde

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“Fui a tantos médicos nos últimos meses. Preciso de um que junte tudo”. A queixa ouvida de um paciente em uma sala de emergência e registrada, em 2002, pela médica Barbara Starfield, uma das principais estudiosas do modelo de Atenção Primária à Saúde (APS), representa o sentimento atual de grande parte dos beneficiários da saúde suplementar no Brasil. Todos os anos, milhões de brasileiros seguem um roteiro que aumenta o desperdício de recursos. E, o pior: sem que o investimento gere ganhos expressivos de saúde. Por que nosso modelo assistencial funciona assim? É preciso reconhecer que, nas últimas décadas, o mercado privado reforçou a cultura do livre acesso a especialistas e tecnologias.