Cidades

Botão do pânico devolve tranquilidade a vítimas de violência

| Edição de


Noites em claro com medo de ser morta pelo marido. Essa situação foi vivida diversas vezes por Adriana de Lima Dias, de 34 anos. A costureira foi casada por seis anos e em cinco deles foi vítima de violência doméstica. Foi agredida fisicamente, ameaçada de morte e chegou a ser obrigada a pedir por bebidas alcoólicas para o ex-marido durante a madrugada. As marcas das agressões ficaram pelo corpo e principalmente na memória de Adriana, que é uma das apucaranenses beneficiadas com o botão do pânico. 
“Eu vivi um inferno. Depois de um ano de casada ele começou a beber e ficar violento. Eu aguentei calada, sofrendo por cinco anos. Não denunciei antes, pois eu tinha muito medo, mas eu percebi que eu tinha que tomar uma atitude e fiz a denúncia ”, detalha a costureira.
Adriana se separou há dois anos e, nesse período continuou passando noites sem dormir por causa das ameaças e agressões do ex-marido. Há quase oito meses ela recuperou a tranquilidade. A costureira foi uma das primeiras mulheres beneficiadas pelo dispositivo de segurança criado para garantir o cumprimento de medidas protetivas. 
A costureira já usou o dispositivo cinco vezes. Em todas as situações o ex-companheiro invadiu sua casa. “Nas três primeiras vezes que acionei o botão, ele conseguiu fugir. Na terceira, ele foi preso, mas ficou apenas quinze dias na cadeia. Ele saiu da prisão e veio novamente atrás de mim. Acionei novamente o botão e a GM veio muito rápido. Agora ele está internado para tratar seu problema com as bebidas. Mas eu continuo com o dispositivo, me sinto mais segura, me sinto até mais confiante”, desabafa Adriana.
Ela fez questão de deixar um recado para as mulheres que vivem no ciclo da violência doméstica. “Vá atrás dos seus direitos, tem que criar coragem e denunciar. A mulher tem que ter a consciência que pode acontecer algo muito pior. É possível sim recomeçar”, ressalta Adriana. 
Em Apucarana o botão do pânico está em funcionamento há quase oito meses. Em média, duas mulheres por mês acionaram o dispositivo e pediram por socorro. No total, já foram  realizados 17 atendimentos.
Após o acionar o botão, um alerta é enviado para o celular da Guarda Municipal que, de imediato, encaminha uma viatura. “Em menos de um minuto já recebemos o alerta e deslocamos o mais rápido possível. Após o acionamento do botão, é possível ouvir o que está acontecendo, se a mulher está gritando, se está acontecendo uma briga. Chegamos o mais rápido possível, atendemos a vítima, orientamos ela e, claro, vamos atrás do agressor”,  explica o GM Reinaldo Andrade.