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Prisão de ex-governador preserva depoimentos e testemunhas, diz juiz

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Responsável pela ordem de prisão temporária do ex-governador do Paraná, Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB e detido nesta terça-feira, em meio à campanha eleitoral, o juiz Fernando Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, justificou que a medida é necessária para “garantir a isenção dos testemunhos colhidos” e evitar a destruição de provas e a intimidação de testemunhas.
“É inegável que entre os investigados há pessoas que gozam de elevado poder político ou econômico”, escreveu Fischer em sua decisão, para quem o grupo “conserva sua influência e poder” mesmo fora do governo.
Além de Richa, foram detidos a sua esposa, Fernanda Richa; o seu irmão e ex-secretário de Infraestrutura, Pepe Richa; o primo Luiz Abi; o seu ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo; e outras dez pessoas. Todos negam irregularidades. 
O grupo é suspeito de participar de fraudes à licitação em estradas rurais do Paraná, entre 2012 e 2014, apropriando-se dos valores ilícitos.
Advogados de defesa questionaram a necessidade das prisões e acusaram o Ministério Público de “oportunismo” - os fatos investigados ocorreram entre 2012 e 2014.
Ainda na terça-feira à noite, o Tribunal de Justiça do Parná (TJ-PR) determinou a transferência de Beto Richa e da mulher e ex-secretária estadual Fernanda Richa do Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para o Regimento da Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba.
As transferências foram determinadas pelo desembargador Laertes Ferreira Gomes, da 2ª Câmara Criminal. Prisões efetuadas pelo Gaeco (Grupo Especial de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) são temporárias e valem por cinco dias.
Coordenador do Gaeco, o procurador Leonir Batisti afirmou à reportagem que a operação só foi deflagrada neste momento porque “as evidências jurídicas surgiram agora”.