Médico fala sobre lúpus, doença autoimune que atinge mais frequentemente as mulheres

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Médico fala sobre lúpus, doença autoimune que atinge mais frequentemente as mulheres

Doenças do sistema imunológico podem passar despercebidas em exames. Uma das mais conhecidas é o lúpus, distúrbio inflamatório que pode afetar órgãos e sistemas. Quem esclarece mais sobre a doença é o reumatologista Gustavo Fassina, de Apucarana. “Os sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva, em meses, ou mais rapidamente, em semanas, e variam com fases de atividade e de remissão”, explica. 

O lúpus pode acometer pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém, segundo Fassina, as mulheres são muito mais acometidas, ou seja, 9 mulheres para 1 homens. O lúpus aparece principalmente entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e nos afrodescendentes. “A doença pode causar qualquer sintoma, por ser uma doença que acomete todo o corpo, porém, os principais sintomas são cansaço, desânimo, febre baixa, emagrecimento e perda de apetite”, ressalta.
De acordo com o reumatologista, as manifestações mais frequentes ocorrem na pele como a famosa asa borboleta, aquelas manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz; as lesões discoides que também ocorrem mais frequentemente em áreas expostas à luz, são bem delimitadas e podem deixar cicatrizes com atrofia e alterações na cor da pele.
Outra manifestação muito característica no lúpus, segundo o reumatologista, é a fotossensibilidade, que nada mais é do que o desenvolvimento de uma sensibilidade desproporcional à luz solar. Neste caso, com apenas um pouco de exposição à claridade ou ao sol, podem surgir manchas na pele. Além disso, Fassina cita a queda de cabelos, que é muito frequente, mas ocorre tipicamente nas fases de atividade da doença e na maioria das pessoas, o cabelo volta a crescer normalmente com o tratamento.

Articulações
As articulações também costumam ser muito afetadas. De acordo com o médico, os pacientes apresentam artralgia (dor articular), assim como artrite (inflamação das juntas). Outros sintomas típicos e graves podem envolver os pacientes com lúpus, como a inflamação das membranas que recobrem o pulmão e o coração, chamado respectivamente de pleurite e pericardite. O envolvimento renal, chamado de nefrite, que pode levar o paciente a insuficiência renal e o envolvimento neurológico que pode causar convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.

No sangue, ainda segundo o reumatologista, o lúpus pode formar anticorpos contra as células, quando “atacam” as células vermelhas (hemácias) causam anemia, já nas células brancas podem levar a diminuição dos leucócitos e linfócitos (células de defesa) e quando direcionado as plaquetas, por sua destruição, sendo essa célula responsável pelo controle do sangramento, o paciente pode perceber aumento do fluxo menstrual, hematomas, sangramento gengival, por exemplo.

Diagnóstico
Para o médico, o diagnóstico do lúpus é complexo, visto que a maioria dos pacientes não apresentam todos os sintomas no início do quadro e muito dos sintomas não serem específicos da doença, podendo ocorrer em muitas outras patologias. “O médico deve reconhecer os sintomas citados, ao mesmo tempo que investiga anticorpos no sangue como FAN (fator antinuclear), anti-SM, anti-DNA, complemento, além de investigar a parte renal com exame de urina”, reforça.