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Governo cria força-tarefa para investigar jogo que incentiva suicídio de adolescentes

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O desafio virtual denominado ‘Baleia Azul’ virou um dos assuntos mais comentados nesta semana nas redes sociais, principalmente após o registro de cinco tentativas de suicídio de adolescentes na madrugada de anteontem em Curitiba. O jogo, que tem como objetivo final levar o adolescente a pôr fim na própria vida, foi tema de reunião de emergência ontem entre as secretarias de Segurança Pública, Educação e Saúde. Na ocasião, as pastas traçaram estratégias para combater o jogo e anunciaram uma força-tarefa para investigar casos de jovens que procuraram assistência hospitalar nos últimos dias por conta de atos de automutilação e outros ferimentos autoprovocados.
Ontem à tarde, o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) deu início à investigação para apurar a relação dos casos com o desafio online. Na capital paranaense, outras três situações de automutilação foram registradas nesta semana. Casos do gênero são investigados também em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba e Rio de Janeiro. O que chama a atenção é que as tentativas de suicídio, suicídios e automutilações ocorrem no momento que o jogo, que surgiu como fake news na Rússia em 2013, ganha expressividade nas redes sociais no Brasil.
Na área de segurança, os trabalhos envolvem o Núcleo de Proteção a Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria), que vai fazer o primeiro atendimento, o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) e o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, explica que em cidades onde não há unidades da força-tarefa, a comunicação do crime deve ser feita na delegacia mais próxima, que vai direcionar os casos. “O trabalho da polícia é de identificar e responsabilizar indivíduos que possam estar recrutando jovens e administrando jogos por redes sociais, incitando ao suicídio”, disse.
A Secretaria da Educação emitiu um comunicado para que educadores da rede pública estadual reforcem os cuidados quanto à mudanças de comportamento dos estudantes - como alterações de humor, de rotina, vestimenta - ou o aparecimento de marcas no corpo e mesmo de tatuagens.
A secretária da Educação, professora Ana Seres, esclarece que as escolas já estão preparadas para lidar com situações inusitadas e de risco, não só como no caso o jogo Baleia Azul. “Pedagogos, professores, funcionários e diretores sabem que, ao identificar qualquer comportamento estranho num estudante, devem ser tomadas providências”, afirma.
ALERTA
A Secretaria da Saúde determinou que hospitais, prontos socorros, unidades de saúde e demais serviços de atendimento médico no Paraná redobrem a atenção em situações de automutilação e uso inadequado de medicamentos por crianças e adolescentes. Uma nota técnica da secretaria vai orientar a conduta dos profissionais da saúde frente a este tipo de situação. (COM AEN)